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terça-feira, 9 de julho de 2013

o que é preciso pra sentir um arrepio?

o que acontece com os rostos mascarados nos quais o sol não toca?
que já quase se fundiram àqueles olhos dispersos
tão
vazios.
o que eles procuram?
poesia? revolta? espelhos?

eu procuro outros olhos
não apenas um olhar, não procuro plateia
procuro olhos, que esbanjem desejos e feridas, alegrias e rancores
olhos falantes, olhos sedentos
não os olhos vidrados, robóticos, dissimulados de quem discursa
mas os olhos vívidos, pulsantes, amantes, de quem chora
chora porque sente
sente porque ama
ama porque vive,
não reproduz.

atravesso a cidade, caminho pelas ruas, e não encontro olhos!,
apenas os vítreos, quebradiços, inexpressivos.

traço o olhar de um rapaz
que tem os olhos de boneca de porcelana
há muito esquecida pelo dono
que provavelmente a substituiu por uma de plástico.

a boneca não tem humor
tem apenas a pele alva empoeirada,
uma roupa romântica perdida no tempo
e o rosto vazio de vida.

e eu vejo todos esses sorrisos
os risos do sem graça
e os olhares que não se cruzam
e me lembro da boneca abandonada

tem uma poesia morta no meio desta sala
e todos continuam seus inexpressivos e cordiais sorrisos.

eu não pretendo ser uma peça desse jogo
o peão que vai servir a um bando de autoritários querendo se afirmar
querendo acreditar que são algo
através dessa imposição.
eles se contorcem, brigam por atenção, por reconhecimento
e tudo que eu vejo é a boneca
morta
gritando em silêncio.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"timidez"

A dificuldade que tenho de participar das aulas é algo que me irrita profundamente. Às vezes até consigo perguntar, mas responder às perguntas dos professores é algo muito raro. E quando eles as direcionam a mim, meu coração dispara (mesmo) e minha mente fica em branco, eu dou um sorriso meio amarelo que faz as pessoas me acharem engraçadinha e falo que não sei, mesmo que eu até saiba.
Mas o problema não é esse. Não acho que isso seja uma "timidez", como muitos julgariam. O problema é que eu simplesmente não tenho a coragem de arriscar errar uma resposta. Parto do pressuposto de que posso até estar errada, mas que a morte é melhor que confessar meu erro em público - especialmente dependendo do público.
Muitas vezes o que penso ser a resposta acaba por estar correto, o que dá aquela sensação irritante. E admitir isso me deixa envergonhada, constrangida e brava. Simplesmente não tenho a humildade daquele aluno que pergunta tudo e não está nem aí. Claro que tem uns que se fazem de burros, que querem chamar atenção, etc. Mas sempre há os genuinamente humildes, que simplesmente perguntam porque querem saber.
E é nesse momento em que eu olho pra eles com profunda admiração e reflito sobre a minha imbecilidade - apesar de tentar esconder isso com aquela cara indiferente do dia a dia que aprendi a utilizar ao longo da vida.
Está nos meus planos mudar essa atitude. Já cansei. Esse medo de estar errada, que no fundo não passa de um orgulho, de uma necessidade de aprovação, já deu o que tinha que dar. É bem provável que eu releia isso daqui a um tempo e me ache ingênua por pensar que conseguiria mudar isso em mim, mas eu realmente gostaria que isso não acontecesse.
Tenho muito medo de me tornar uma dessas pessoas arrogantes, pois eu seria do pior tipo, o arrogante discreto. As pessoas não me vêem como alguém arrogante, ao menos não segundo o que elas me dizem. As pessoas sempre têm essa visão de que eu sou "fofinha" ou algo assim, o que é uma bosta. Acho que às vezes sou meio exigente demais comigo mesma, mas essa imagem de boazinha realmente não condiz com o que sou.
Isso tudo me impede de evoluir durante as aulas, e, principalmente, de assumir pra mim e pros outros meus erros e defeitos, o que acaba colaborando pra essa idealização que as pessoas simplesmente NÃO CANSAM de fazer de mim.
Algo que me consola (mas entristece) um pouquinho é ter a certeza de que não sou a única a sentir isso. Essa mesquinharia está se alastrando.

Às vezes me pego irritada por ter a mesma dúvida que uma pessoa que não gosto, por exemplo. Nesse caso, refiro-me especificamente a uma menina que me irrita bastante por diversos motivos, o que me faz inclui-la na lista dos "imbecis com os quais não vale à pena estabelecer um diálogo". Logo, eu obviamente me coloco como superior a ela, e portanto não posso compartilhar de sua dúvida, pois ela é um ser inferior, algo como um australopiteco.

*cofcof e ela é mesmo.
Ok, não é bem assim, mas arrrhhh! me deixe odiá-la em paz! (meu eu interior vai responder "não" mas eu vou parar esse diálogo interno por aqui mesmo)

Isso é muito mais pessoal do que qualquer outra coisa, pois não me sinto assim com pessoas que perguntam muito mais/"sabem" muito menos que ela mas que têm personalidades mais, digamos, interessantes. Tenho muito respeito por essas pessoas, como já disse, e costumo me dar bem com elas.
Mas o fato de me colocar  como superior a alguém, mesmo que por causa dessas picuinhas pessoais, é algo que me envergonha muito. Ai, ai.
Preciso urgentemente amadurecer.
E está mui difícil cumprir essa meta.

Se alguém está lendo isso, eu aposto que você também não suportaria essa menina, se a conhecesse.

é isso.

agora o momento da imagem aleatória do dia:

#meidentifiquey

Boa noite.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

(╯°□°)╯

Que vontade de salvar este blog da decomposição!!
Nem sei a(s) finalidade(s) dos meus posts aqui, mas talvez, de algum ângulo improvável, isso até seja um charme. O fato é que repentinamente me lembrei desse blog e, já que estou com a mão na massa (ou computador, como queira), decidi escrever algo.
Queria mesmo é reescrever todas as bobagens que já registrei por aí, como as minhas fanfics idiotas e dramáticas. O pior é que às vezes ainda recebo comentários de pessoas dizendo que adoraram ou que choraram de verdade lendo, o que me deixa muito feliz e impressionada, é claro, mas é um tanto quando engraçado esse negócio de conseguir emocionar as pessoas com uma coisa que você escreveu mas hoje em dia rejeita.
Atualmente ando completamente revoltada com a vida, com o mundo (e isso lá é novidade?) e com aquela publicação imbecil, homofóbica, repugnante que saiu na Veja esse fim de semana. Mas eu sinto tanta raiva que perco a vontade de xingar, de escrever. Acho que é aquela raiva que vira tristeza sabe, que dá um cansaço profundo e uma dúvida entre assassinar brutalmente a todos ou simplesmente fechar os olhos e ignorar o mundo.
Acho que tenho estado estressada devido a vestibular e afins, vida de vestibulando não é fácil - apesar de passar longe do inferno que todos dizem, dá pra ser feliz e estudar, oras. Por isso, tenho xingado deus e o mundo - principalmente o mundo e meus colegas de classe. Até arranjei uma companheira que , cá entre nós, consegue me superar bastante no nível de azedume! Reclamona que só ela! hahahaha! Mas ela é uma das pessoas mais legais que conheci esse ano, sincera até o último fio de cabelo, muito esperta e escreve tão bem que não posso deixar de pedir ajuda pra ela (é que pra mim é meio difícil pedir ajuda aos outros, pois sou, resumidamente, uma idiota mesmo).

Fatos aleatórios da minha vida:

  • Cortei o cabelo hoje, não fez muita diferença (o que me deixou meio braba), mas está bão
  • Minha auto-estima tem estado baixa, o que me leva a usar um pouco mais de maquiagem, aiai
  • Me divirto horrores no tumblr, o pessoal lá tem um senso de humor muito ... não sei qual palavra usar.. mas é algo bom, haha. 
  • Quando descobri quantos pontos fiz no ENEM eu chorei e fiquei choramingando no quarto dos meus pais enquanto eles me tranquilizavam, é, eu sou uma criança. Minha pontuação não foi ruim, mas, como sempre, eu queria ter ido melhor. 80,5% .... acho que dá pra ser feliz em meus objetivos, a não ser que eu seja muito, muito azarada.
  • Estou precisando reavivar minha vida social urgentemente
Enfim. Não fiz meu dever de história e meu professor vai me encher o saco amanhã, espero que ele compreenda que estava utilizando de meu precioso tempo para ler histórias sobre romances homoeróticos entre homens.

Porque afinal de contas é isso que importa na vida:
Gays
e picolés de manga.
Bjs

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

angústia

Hoje, a tristeza escava com suas tortuosas ferramentas seu lugar dentro de mim. 
Eu poderia chorar pelas crianças que morrem a cada instante, de fome, frio, doenças, maus tratos.
Pelas injustiças, violências, crueldades. Pela miséria.
Gritar o quanto o mundo é cruel, questionar o valor da vida, ou o seu porquê.
Mas não é isso que me aflige neste momento. Não liguei esta máquina para declamar um manifesto pessimista, sangrento e dramático.
Estou aqui para expressar a prostração causada a mim pela Reforma Ortográfica no Português. E a minha reclamação é apenas uma. Apenas uma palavra.
Ideia.
Por quê?!  Por quê, acento, por que você teve de ir?
Toda vez que me deparo com esta tão querida palavra e sinto aquele vazio sobre a letra e...algo em mim se despedaça.

O acento da ideia é o que a fazia crescer, parecia até se tornar uma palavra maior, mais expressiva.
Parecia mais brilhante, como a luz que se acende nos desenhos animados, plim!, ideia.
Abria assim a possibilidade de se tornar real, de sair das letras e se tornar ideia de fato. Como um Pinóquio a um passo de ser menino. 

E não havia como não nutrir um carinho especial por tal palavra, afinal, nós vivemos de ideias. 
Alguns se alimentam de ideias. Outros as vendem, até pechincham. Há quem as procure infinitamente, cada qual com seu método, uns mais outros menos saudáveis.
As ideias andam de braços dados com as inspirações, muitas vezes frutificando nas mais belas e criativas criações, apesar de algumas serem, infelizmente, inférteis.
Mas sempre foi um universo à parte, o conhecido Mundo das Ideias. 

E agora, o acento, a escadinha que permitia o acesso a esse lugar, foi retirada do leitor e do escritor.
Nossa ideia perdeu o acento e a agudez. 
Perdeu a plateia.
E agora?
A ideia perdeu seu charme, e ninguém mais se recordará dela como aquela palavra brilhante, ela ficará esquecida como algo envelhecido na lista dos ditongos que perderam a acentuação.
Ultrapassada, a ideia se esconde onde a originalidade já estava a algum tempo.

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Pode parecer bobo, mas eu realmente sinto falta de acentuar a ideia. 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

◘ lost my pieces

◘ (antes de mais nada, estou absurdamente viciada em OST's no presente momento. u__u' Uma delas que me fez colocar esse título. Vou deixar aqui pra não esquecer umas que estive ouvindo, depois eu tenho que baixar. )
[ toradora. lost my pieces ]
[ toradora. sora iro no houkaigo ]


... pronto, vamos ao post ♥ 


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Tenho uma lembrança bem antiga...que me veio à cabeça enquanto refletia hoje.


Estava na hora do recreio, e por algum motivo me isolei do restante das crianças que brincavam na areia, sentei na escada, sozinha, observando. Sentia algo estranho, e olhava os outros brincarem, como que buscando neles a resposta. Quando olhei para baixo, meu joelho estava sangrando. Não me assustei muito, mas não me lembrava de ter me machucado daquela forma. Olhei bem para a ferida, observando que vários pontinhos de sangue tinham formado, parecia até uma espécie de estrela, e só então comecei a sentir muita dor, de repente arrancando lágrimas disfarçadas que escorreram discretamente pelo meu rosto. Não toquei no machucado nem saí dali, nem falei nada, apenas continuei a observar as outras crianças. 


E aí acaba a lembrança. 


Eu chamo isso de Transtorno do impacto retardado. Ou não, acabei de inventar. 
Mas é isso. 
Está tudo bem. Você consegue sorrir como sempre, está de pé, caminhando. E então, do meio do nada, vem uma dor profunda, uma força que te puxa para baixo. 


"O que é isso? Por que estou me sentindo assim? Estava tudo tão bem até a pouco..."


É o pensamento inevitável afinal, de repente você está no chão, sem forças para se levantar.
De repente você está sem fôlego, seu corpo imóvel de tanta dor.
De repente você está completamente sozinho, e com uma inexplicável sensação de medo.
De repente você está chorando e não consegue nem erguer sua voz para perguntar o porquê, ela simplesmente não sai.


É o que acontece com aquelas pessoas que não prestam atenção em si mesmas. Altruístas? Não necessariamente. Idiotas? Com absoluta certeza. 
Fico pensando se não é apenas falta de amor próprio.
Não consigo saber. Só sei que dói mais do que eu gostaria de admitir.
Uma hora você olha pra trás e enfim vê.


"Ah. Foi ...por isso que eu estou assim."


Você vê a pedra em que tropeçou. 
Ou vê a pessoa de quem você gosta se afastando, já distante... ou será você quem se afastou?
A despedida em que você não chorou, e finalmente está sentindo.
As saudades que nunca vieram até então.
Uma briga que ficou convenientemente adormecida na memória. 
E agora já é um pouco tarde pra reagir.


Sim... os sentimentos ficam escondidos por um tempo. É mais fácil acreditar que eles têm vida própria a pensar que quem desvia deles sou eu. Quem se esconde sou eu. Sem sequer sentir. Sem perceber. 
É tão conveniente que fica difícil entender quando tudo vem à tona. Não estava tudo tão bem?
...não.

É, tarda mas não falha.


Uma hora vem o sinal, aquela dor no nariz, nunca perguntei pras outras pessoas mas acho que todos devem sentir antes de chorar. Ou qualquer outro tipo de dor e manifestação que possa existir. Cada um tem a sua.


"Mas... o que aconteceu? Você estava sorrindo agora a pouco!"


Às vezes eu me pergunto se as pessoas acreditam realmente que aquelas que menos sorriem são as mais tristes. Aquelas que exibem a melancolia como uma parte de si. Se é que tem como julgar quem é mais triste, mas enfim, não é esse o ponto.
Será que todas as pessoas são tão óbvias assim? 
Será que ninguém à minha volta consegue decifrar aqueles que engolem sentimentos? Não é algo incomum.
Mas é silencioso.


Eles sempre voltam, não adianta engolir ou esconder, mas não é por isso que deixarei de sorrir.


Afinal, foi sempre uma das poucas coisas que soube fazer direito. 
Ser a "menininha alegre". 



domingo, 29 de janeiro de 2012

Bonjour

Abro as janelas, prédios, prédios.
Por que será que às vezes sinto que sou a única no mundo a abrir a janela? Vizinhos idiotas. Mas gosto mesmo é de ver as nuvens, não suas caras amargas dando "bom dia" sem vontade. Sinto o vento me saudar e agradeço mentalmente.
Visto as roupas, a jaqueta, calças hoje? Oh, não, tudo menos isso, preciso de liberdade-pernal! Jogo tudo pro lado, especificamente no querido cantinho do horror. Vestido velho da feira, os tolos acham que é chique pois coloco aquela jaqueta que ninguém quis e ficou pra mim e uma droga de saltos, e tenho aquela cabeleira estranha que por motivos misteriosos eles acham chiquérrimo. Como se isso realmente importasse, são só cabelos, oras.
Chiquérrimo é o mexidão que vou preparar quando chegar em casa, hm, que fome, que fome. Divino!

Saboroso é acordar inexplicavelmente de bom humor.


-Bom dia!
Eu digo e não ouço resposta. Bulhufas, bom dia a mim, bom dia a você, inseto pisado.
Cidade, eu ando, caminho, eu penso e olho os parvos a marchar. 
Sorrisos felizes? Quando é que eles são? Nem todo sorriso é alegre, nem toda pergunta traz respostas (eu diria quase nunca mas vou prosseguir em minha sequência pseudo-poética), nem todo gato nasce livre. 
Ou pobre. 
Cantarolo.
- Nós gatos já nascemos po-o-bres. Poorém, já nascemos li-i-vres. Senhor, senhora, senhorio!
Como adoro cantar! 
Mas o compromisso me impede.
- Bom dia, Will!
- Bom dia, madame.
Oh, ainda vai descobrir que não sou madame, pobre condenado à servidão e à adulação (não somos todos? alguém perguntaria e eu diria: não). Mas eu é que não irei contar, me flagrará algum dia de madrugada andando de pijamas, chinelos e meias coloridas(com um furinho ao fundo), indo entregar algum filme infantil na locadora, Disney, talvez? Entregando o Corcunda e cantando à Mulan. 
"Vou casar com Kokoan ou devo então casar com quem?" Ah, Pocahontas, não case, querida! Muito menos com Kokoan, venha colorir o vento comigo, vamos!  
Pijamas surrados, não aqueles sensuais, rendinha, furinho aqui e ali, para dedinhos entrarem - ou quem sabe rasgarem? Nada disso. Pijama dos bons, grande, macio e confortável, que dá pra colocar as pernas dentro da blusa quando dá vontade de encolher. Que nem coração de gente que ama demais. 
Volto a pensar nos gatos, gatos de rua, gatos de cama, gatos e gatos, gatos de gente. Como podem ser livres, queridos? 
Gatos deveriam ter asas.
Imaginando feliz belos gatos erguendo vôo, escuto a  voz cavalheira a me relembrar da realidade.
- Aceita um café, mon’amour? - me olha com olhos de quem já muito olhou daquela maneira (e provavelmente estava cansando-se disso) e os volta para o garçom – A conta é minha hoje, não a deixe tocá-la.  – e deu uma piscadinha.
Ao menos ele me conhecia nessa parte, cavalheirismos pra cima de mim costumam não cair bem, assim como tomar leite de manhã: às vezes causa enjôo. E ainda me vem em francês, não quero seu francês, me fale de gregos e japoneses, me mostre o que os tibetanos estão fazendo agora, mon’bijou. Ficaria agradecida, pouparia-me de um turbilhão de pensamentos altamente ofensivos sobre a vossa pessoa. Arigato gozaimashta.
- E então, so-
- Me diga uma coisa, querido. – o interrompo - Se os pézinhos da Cinderela crescerem enquanto o príncipe experimenta os de todas as outras damas da cidade, o que acontece?
- Ele nunca descobrirá que era ela a pessoa por quem se apaixonou. – ele era rápido, ao menos quando pressionado.
- Não, meu bem. Paixão, você diz? - ergo as sobrancelhas desafiadoramente para o pacotinho de açúcar que  abria - Ah, me deleito com a inocência de pessoas como você! Se ela fosse líquida gostaria de derramá-la sobre uma banheira e afogar-me nela. – sorrio e recebo o copo de café. Odeio café, coisa amarga que umas pessoas tomam com nariz em pé e óculos pseudo-intelectuais, outras com olhos exaustos e dedos trêmulos, olheiras de exaustão, olheiras de cansaço. Odeio olheiras também.  Mas gosto do cheiro do café.
- Diga logo, Louise, não vai me entregar os scripts?
- Meu caro jovem, - começo, feliz que ele pulara as partes longas de adornos  – tome este café amargo e sirva-se da fantasia energética do século. Não seria o ecstasy, você poderia pensar, mas eu diria que não. Vicie-se em cafeína, é mais belo. E bem aceito.
Faço uma pausa para pegar o açúcar enquanto o via engolir comicamente sua impaciência.
- Meu texto está horroroso, Will, e eu detesto os personagens que me deram, quero jogá-los ao mar, mas creio que sequer isso me satisfaria. Pois afinal, eu gosto do mar. Se me concederem a permissão para maltratá-los terminarei tudo hoje, algo em mim está pulsante e creio que meu ritmo estará frenético ao tocar a caneta. O que me diz?
- Maltratá-los? - ele diz, em um suspiro risonho ligeiramente desesperado. Acho que até gosta de mim, pobre, por algum estranho motivo imagino que ele me compreenda mais do que poderia notar. E eu também não sou uma escritora que dá tanto trabalho, só um pouquinho. 
Ergue os olhos, suspira novamente, segura o copo de café e me olha. 
– Faça como quiser. Mas faça bem feito, ou devorarão minha alma. Vou evitar que me pressionem até que me entregue, certo?
Apertamos as mãos em acordo.
Cúmplices. Acho que passei a minha vida aliciando-os às minhas mirabolações.
Maldade ou desespero?
Responder-me-ei quando criar coragem.
Termina o café e se prepara para levantar. 
Mais jovem que eu, ele tem belos olhos escuros, sempre preferi os olhos escuros. Eles sempre pareciam me ver melhor que os claros. Ou talvez eu veja melhor através deles.
- Bom, e então, o que acontece?
- Pois não? - pergunto em pompas.
- Com  a Cinderela.
- Ah, claro. Indignada por seus pés não caberem mais na delicada sandalinha de cristal, a única coisa valiosa que ela tinha,  ela foge, a vende, e se torna uma andarilha, talvez fazendo artesanatos, poderia se juntar a um grupo de ciganos, seria interessante. Sabe, com certeza encontraria um cigano que a faria nunca mais querer voltar para perto daquele príncipe aguado.
- O quê?! – ele me olha surpreso, apesar de já esperar coisas do tipo saírem dos meus lábios sem batom.
- Você realmente acreditava que ela ficaria a vida toda varrendo ou tentando convencer um principezinho mané a gostar dela? Meu amor, até as submissas-feitas-para-serem-donas-de-casa têm seus limites. E uma vez ultrapassados, uh, aí sim a coisa fica interessante.
Sorríamos.

Que bom é saber que mesmo não nascendo livres alguns podem subir em telhados e brincar pelas ruas, despreocupadamente.
Os gatos, digo.


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Sei lá que diabos é isso que escrevi uns tempos atrás. Um dia acordei de bom humor (depois de três dias de trevas), peguei o laptop e escrevi. Paf puf. Nem sei o que acho, mas é legal ler.
 De qualquer forma, resolvi postar por aqui.
Ciao. <3

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

macumba, eô.

Este esplendoroso post repleto de meus mais sinceros sentimentos eu dedico à minha honrosa companheira felina, também conhecida como Mafalda, pois eu acabei de, acidentalmente, assustá-la com um inesperado movimento de minhas pernas (leia-se chute), o que iniciou esta estranha vontade de citá-la aqui.

Esta macumba tem como o único e simples objetivo amaldiçoar solenemente uma série de elementos que compõe lentamente um sentimento de irritação dentro de meu nobre coração.

* A vocês, seres que possuem egos imensuravelmente grandes e que precisam ser alimentados com frequências absolutamente insuportáveis,  a ponto de a probabilidade de criar-se um diálogo com vocês ser irritantemente próxima a zero. Que vocês engulam suas línguas em seus monólogos infinitos e sintam toda a náusea torturante do acúmulo de giros em torno do próprio umbigo. Que tenham sua audição aumentada a níveis inacreditáveis, incapacitados de ignorar a fala alheia e possibilitados de ouvir o som aterrador de seus egos partindo-se em milhares de caquinhos, com os quais vocês mesmos ainda irão se ferir ao tentar uni-los.

* A vocês, parvos que, cegos pelas sombras da ignorância, iludem-se pensando possuir qualquer tipo de conhecimento ou valor, e fazem questão de tornar tal ficção pública por qualquer tipo de meio que possuam acesso. Vocês poderiam simplesmente desaparecer mesmo, sabe.

* A vocês também, imbecis que decidiram construir uma série de edifícios ou quaisquer outros projetos que demandem fazer todo o barulho do inferno bem aqui nas minhas lindíssimas e digníssimas orelhas, que não usam brincos mas nem por isso são de menos valor. Espero que todos vocês QUEIMEM NO MÁRMORE DO INFERNO.  :D

* A você, vizinho flautista, que há 15 anos toca as mesmas músicas e erra as mesmas notas... sempre-as-mesmas. Que você.... bem, na verdade eu até gosto de você, sabe, sua versão de "Sítio do pica-pau amarelo" era ruim mas eu aprendi a apreciar. Espero que você algum dia encontre seu talento em algo, já que ele, definitivamente, não reside na música.

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Ok, cansei :D
Na verdade eu nem estou brava! Hehehe! Mas me deu vontade de reclamar um pouco, só por que ultimamente eu estive irritantemente alegrinha, e tal. E por que hoje eu realmente acordei com um barulho de obras e um calor que putaquepariu.
Então fui escrevendo sobre qualquer coisa que quisesse reclamar.
~


Bem, para variar o assunto maçante...
Ontem assisti "A Garota da Capa Vermelha" (Red Riding Hood)



Bem, o negócio é: se for para fazer algo que de certa forma se entrelaça com a história da Chapeuzinho Vermelho, daria pra fazer algo muuuuito mais interessante.
A interpretação da figura do lobo, que para mim é o mais interessante de ser abordado, a princípio parece que vai ser levada em conta, mas no fim não tem nada a ver.  T^T  É só um lobisomem, tipo. Achei que veria mais elementos que envolvem o psicológico, mas nada.
Achei o filme fraco, mas suficiente para entreter. Algumas coisas meio toscas, uma trilha sonora que não tem nada a ver com a época retratada ... e tem aquela típica coisa que filmes ou qualquer outra mídia de baixa qualidade que envolve algum suspense faz: colocar de maneira ridiculamente óbvia todos os suspeitos. Aquela coisa de que, não mais que repentinamente, todas as pessoas, até a senhora que vende pães por um preço mais camarada para as famílias necessitadas, começam a ter AQUELE brilho assassino no olhar de quem matou a sua família toda a marteladas. Pois é, esse tipo de coisa pra mim é coisa de quem não sabe fazer suspense. Provavelmente é o que EU faria, já que eu não sei fazer suspense.
Mas o fato é que a capa dela é muy estilosa, eu super queria vestir aquela capa na neve!
Ah, tem outra coisa ruim: lobisomens não deveriam ser apenas lobos grandes, pô, assim não tem graça.
Acho que esse filme tem uns ares Crepusculianos. Inclusive, a capa do DVD lembra, aqueles personagens bem cinzas, etc.


Wtf me deu pra fazer review de filme aqui, haha. Enfim, escrevo o que quiser, dane-se.  :D

Vou colocar uma musiquinha alegre pra xuxu pra finalizar com estilo. (han?)


Ah, muito bonitinha essa versão, vai. 

Vou-me embora cantando...


"I hope you don't mind that I put out in words....
...how wonderful life is now you're in the world."