◘ [ toradora. lost my pieces ]
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... pronto, vamos ao post ♥
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Estava na hora do recreio, e por algum motivo me isolei do restante das crianças que brincavam na areia, sentei na escada, sozinha, observando. Sentia algo estranho, e olhava os outros brincarem, como que buscando neles a resposta. Quando olhei para baixo, meu joelho estava sangrando. Não me assustei muito, mas não me lembrava de ter me machucado daquela forma. Olhei bem para a ferida, observando que vários pontinhos de sangue tinham formado, parecia até uma espécie de estrela, e só então comecei a sentir muita dor, de repente arrancando lágrimas disfarçadas que escorreram discretamente pelo meu rosto. Não toquei no machucado nem saí dali, nem falei nada, apenas continuei a observar as outras crianças.
E aí acaba a lembrança.
Eu chamo isso de Transtorno do impacto retardado. Ou não, acabei de inventar.
Mas é isso.
Está tudo bem. Você consegue sorrir como sempre, está de pé, caminhando. E então, do meio do nada, vem uma dor profunda, uma força que te puxa para baixo.
"O que é isso? Por que estou me sentindo assim? Estava tudo tão bem até a pouco..."
É o pensamento inevitável afinal, de repente você está no chão, sem forças para se levantar.
De repente você está sem fôlego, seu corpo imóvel de tanta dor.
De repente você está completamente sozinho, e com uma inexplicável sensação de medo.
De repente você está chorando e não consegue nem erguer sua voz para perguntar o porquê, ela simplesmente não sai.
É o que acontece com aquelas pessoas que não prestam atenção em si mesmas. Altruístas? Não necessariamente. Idiotas? Com absoluta certeza.
Fico pensando se não é apenas falta de amor próprio.
Não consigo saber. Só sei que dói mais do que eu gostaria de admitir.
Uma hora você olha pra trás e enfim vê.
"Ah. Foi ...por isso que eu estou assim."
Você vê a pedra em que tropeçou.
Ou vê a pessoa de quem você gosta se afastando, já distante... ou será você quem se afastou?
A despedida em que você não chorou, e finalmente está sentindo.
As saudades que nunca vieram até então.
Uma briga que ficou convenientemente adormecida na memória.
E agora já é um pouco tarde pra reagir.
Sim... os sentimentos ficam escondidos por um tempo. É mais fácil acreditar que eles têm vida própria a pensar que quem desvia deles sou eu. Quem se esconde sou eu. Sem sequer sentir. Sem perceber.
É tão conveniente que fica difícil entender quando tudo vem à tona. Não estava tudo tão bem?
...não.
É, tarda mas não falha.
Uma hora vem o sinal, aquela dor no nariz, nunca perguntei pras outras pessoas mas acho que todos devem sentir antes de chorar. Ou qualquer outro tipo de dor e manifestação que possa existir. Cada um tem a sua.
"Mas... o que aconteceu? Você estava sorrindo agora a pouco!"
Às vezes eu me pergunto se as pessoas acreditam realmente que aquelas que menos sorriem são as mais tristes. Aquelas que exibem a melancolia como uma parte de si. Se é que tem como julgar quem é mais triste, mas enfim, não é esse o ponto.
Será que todas as pessoas são tão óbvias assim?
Será que ninguém à minha volta consegue decifrar aqueles que engolem sentimentos? Não é algo incomum.
Mas é silencioso.
Eles sempre voltam, não adianta engolir ou esconder, mas não é por isso que deixarei de sorrir.
Afinal, foi sempre uma das poucas coisas que soube fazer direito.
Ser a "menininha alegre".
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