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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

... sempre resta algo

As luzes se apagam. 
Você não pediu por isso, talvez sequer goste da escuridão. Talvez a odeie, ou a tema mais que qualquer outra coisa. Mas não é uma opção.
Não é uma questão de punição ou destino.
Elas apenas se apagaram. 
Não há mais caminho. As tentativas de caminhar são falhas, seguidas por tropeços desanimadores. 
Mas... caminhar para onde?
Afinal, não há mais caminho.
Algo me diz: Tente
O Medo responde: Não
Estático, o corpo congela com o terror do nada. 
O mais aterrador vazio engloba e engole todo o meu mundo.

As luzes se apagam quando se enxerga demais. 

Sem norte, sem luz, sem cor. 
Sem esperanças? 
Talvez elas me atemorizem mais que a própria escuridão. Ainda assim, lá estão, silenciosas e excruciantes. 
Todo esse tempo eu pude ver aquilo que me aguardava, seguia em frente, mesmo que automaticamente. Mesmo que não visse objetivos. Não precisava me preocupar com onde eu piso, para onde eu sigo. Era tudo claro, não houvesse o subjetivo seria óbvio. 
Antes.
Meus joelhos cedem, sinto as forças se esvaindo lentamente como se a luz fosse o meu alimento. O chão frio me cumprimenta e eu lhe respondo com meus dedos desesperados sobre ele: 
Preciso me levantar.


"Por quê?" "Não há mais nada nesse mundo"
Não há mais ninguém nesse mundo.
Meus olhos procuram algo tolamente, cegos, inúteis, vasculham o mundo sombrio.
É quando me dou conta de que não bastam os olhos.
E essa descoberta me desprotege mais. 


Estou nua e entregue à escuridão.

Mas só assim que fui capaz de sentir.

Os olhos cerrados, meu rosto em pânico dissolveu-se em alívio de descobrir.
Era apenas luz.
O que me foi tirado, apenas a luz. A escuridão, apenas sua ausência.
Ausência que cabe a mim preencher. Com luz? Como quiser.
Com vida.
A vida não me foi retirada.
Eu volto a sentir o mundo.
Eu vivo para sentir o mundo.
Driblar empecilhos e enfrentar problemas, sentir mil cheiros e todos os tipos de vertigem. 
Chorar desconsoladamente até adormecer sem querer acordar.
Seja lá o que viver for. Esse é o objetivo. 
Não fugir da vida. Mas esquivar da apatia.
Ferir e deixar-se ferir.
Prosseguir. 

E, talvez...
Talvez, em algum lugar, eu seja luz.
Aquela que permite a alguém desviar de uma pedra no caminho.
Menos uma pedrinha dorme satisfeita hoje.

Pelo menos hoje.





Sei lá o que foi isso que escrevi, não tenho certeza se vou querer ler amanhã, mas durmo com um gostinho de "sou tosca" na boca.
Mentira, é gosto de biscoito mesmo. -gulosa

Um comentário:

  1. HAUSAHUSUASHUA, teve que me tirar uma risada nesse final, não é?

    Hmm, já me passou várias vezes essa vontade de ser importante pra alguém, apesar de sempre procurar em alguém um motivo pra que tudo torne-se importante - e nunca acho.

    Maas bancando de estranho, até que aprendi apreciar essas faltas de caminho. Eu diria que é como uma letargia sentimental, não há motivo pra ir, mas nem pra parar. E eu costumo achar muita graça desse tipo de coisa, o que me faz rir da vida - literalmente - e me encher de felicidade - mesmo que falsa.

    Seja luz! Só não pegue gosto pela coisa e vire um arco-íris.

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