"Ok.
Eu admito, admito que ligo para você, admito que queria ouvir sua voz, admito que suas lembranças me machucam, admito que queria te ver de novo, que queria te ver como antes, que queria mesmo tudo aquilo que não existe mais, admito que fico remoendo o que já passou, que me lembro e me vejo ferir repetidas vezes, que sinto raiva, que sinto mágoa, que não perdoo, que queria te ver sofrer, que queria te ver viver, te ver chorar, te ver amar, que queria desesperadamente abraçar a pessoa que você foi um dia.
Que tudo que eu mais desejo nesse momento é assassinar aquilo que engoliu tudo que um dia existiu de saudável entre nós.
Tudo que um dia existiu de puro e terno, de quente e belo.
Queria te esquecer, te afogar.
Eu queria te amar incondiconalmente, por vezes, para ser o mártir a lutar pela sua sanidade. Queria ser herói, imagina. Supero e não supero esta fase de idealizações.
Lembro, e lembro com aquele ar feliz, sorrio, conto casos, mal sinto as palavras saírem.
Quando as vejo me abandonando, levando minhas lembranças, aí sim eu percebo que sinto saudades.
Sim, eu admito.
Você sabe que eu admitiria quantas vezes necessário, que sempre rasgo meu orgulho, que sempre abro meu peito, que sempre corro atrás.
Sempre fui a tola que se deixa vulnerável aos que precisam ferir pra se iludir, para sentir a artificial melhora.
Para que por um tempo a tempestade cesse, mesmo ferida eu me sentia feliz.
Eu sempre me sentia feliz.
Talvez por isso mesmo você não me suportasse.
E precisasse desesperadamente de mim, ao mesmo tempo."
Um pouco de drama, pra não perder o costume. Admitir as coisas soa lindamente dramático, tipo despejar(jogar, vomitar) todas as verdades sobre o outro integrante da cena. As pessoas deviam admitir mais vezes e não dar tanto trabalho aos pobres que se esforçam em decifrar seus sentimentos de merda. Não que sentimentos tenham que ser decifrados, mas isso não vem ao caso agora.
Tem uma frase desse negócio que define bem a problemática posta à mesa.
É o Oriente, e Julieta é o Sol, beijos.
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