Vou às alturas, morro de amor, renasço em paixão, e então alço voo, plainando. Como é bom!
Sonho acordada, sem temer ir longe, me distancio da realidade.
Normalmente o sonho caminha ao seu fim naturalmente, e sem maiores danos eu retorno à terra firme.
Mas, vez ou outra, alguém parece sentir a presença de um discreto ser com enormes asas imaginárias, e se aproximar.
Esse alguém quer simplesmente torná-las reais. Talvez para, assim, concretizar as próprias e poder voar.
Se inclina e me levanta, e, como mágica, elas se solidificam, elas são reais! Fico eufórica, incrédula, extasiada.
Como isso pode ser real?
Porém, à alegria logo une-se a insegurança.
Seria um devaneio?
Encaro aquela pessoa, de olhos profundamente doces, sinceros.
Seriam eles?
Por algum motivo eu não consigo me livrar daquele medo. Nem com toda a ternura que eu sinto, com todo o calor que ela quer me transmitir, a confiança não abre seus braços a mim.Porém, contra meus próprios instintos, decido me arriscar.
Tentar usufruir dessas asas, ir longe, até onde a imaginação não alcança, como costumo sonhar. Com cuidado para não cair, mas sem hesitar.
Entretanto...
Ao me por a postos ... descubro algo que me derruba.
Eu simplesmente não tenho força suficiente em meu corpo para sustentar minhas asas.
Não posso voar, não posso me sustentar no ar, sequer me mover.
Meus próprios sonhos são pesados demais para o meu corpo, despreparado para encará-los.
Imagine então carregá-los rumo à realização.
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